Público – Junqueiro elogia autarca de Baião que é candidato à distrital do PS

Fevereiro 1, 2010 por baiaoavesso

José Junqueiro sobre… Assino por baixo.

Fevereiro 1, 2010 por baiaoavesso

Tudo é político, no sentido etimológico do termo.
Mas já aqui disse que este blog não tem objectivos de natureza partidária.
Há, contudo, excepções que, por força do interesse que entendo terem para a região e para o país, não posso abster-me de referir.
As declarações de José Junqueiro, ontem, em Baião, reportadas no Público de hoje, são disso um exemplo.
O Porto, a região e o país têm muito a esperar do Dr. José Luís Carneiro.
Assim haja mentalidades arejadas e abertas ao futuro.
O texto do Público pode ser lido aqui.

Cláudia Madur canta e encanta

Janeiro 30, 2010 por baiaoavesso


A Cláudia Madur, uma jovem psicóloga de Baião, é, sem qualquer margem para dúvida, uma grande promessa no mundo da música e, particularmente, do fado.

Há muito que esperávamos o tão ansiado CD, para nosso contentamento e a comprovar a razão dessa “grande promessa”.

Ele aí está: “Fado Sem Tempo”. Foi uma prenda de 2009.

Com o patrocínio da Câmara Municipal de Baião.

Cláudia Madur canta e encanta.

E há uma palavra especial para as imagens magníficas do clip, com o fado “Gente da minha terra”, revisitando alguns lugares míticos de Baião: do planalto dolménico ao rio Douro; do Convento de Ancede à Casa de Tormes; da Vila de Baião à Casa do Lavrador… sempre com os rostos belíssimos – de todas as idades – da “gente da nossa terra”.

A não perder!

Porto de Baião

Janeiro 30, 2010 por baiaoavesso


A Associação “Porto de Baião” reúne os naturais e amigos de Baião que vivem fora do concelho, particularmente na Área Metropolitana do Porto.

Aproximar a grande comunidade dos baionenses de raiz ou de adopção e divulgar os valores do património rico e variado deste concelho constituem alguns dos seus principais objectivos.

O lançamento, no edifício da Alfândega do Porto, do livro Outros Tempos, que retrata as nossas mais antigas tradições e vivências, de uma forma como só o António Mota sabe fazer, foi um dos exemplos das iniciativas de grande sucesso desta associação.

Ontem realizou-se o primeiro de uma série de jantares gastronómico-culturais onde se ficou a saber um pouco melhor da forte relação de Eça de Queirós com as terras de Baião.

Outros eventos e iniciativas estão para breve.
Parabéns aos organizadores.

E, afinal, os campos ficaram brancos…

Janeiro 10, 2010 por baiaoavesso

Neve em Tresouras, Baião, na manhã de 10/01/10

Verdes são os campos!

Janeiro 9, 2010 por baiaoavesso

Ontem, apesar do frio, um sol maravilhoso!
Dos que aquecem o corpo e a alma.

E uma tristeza imensa…
Porque o destino me levou a percorrer um pequeno passo de um destes vários Caminhos de Santiago que atravessam a nossa “serra bendita entre as serras”…
E era ainda a cinza desoladora, por todos os lados, depois daquele criminoso incêndio que durante dois dias escondeu temporariamente um dos tesouros melhores do nosso património ambiental.

Sabemos que vai renascer…a chuva e a neve têm essa força rejuvenescedora da Natureza.

Á noite, reconfortei-me com a memória lírica do Camões, do Zeca Afonso, numa outra voz maravilhosa, vinda da vizinha Galiza, igualmente verde.

Também um hino à Esperança, e a todos os olhares límpidos e transparentes onde ela continua a reflectir-se.
E a fazer-nos acreditar.
E a prosseguir…

Final de Ano. Tempo de Balanço(s). “Portugal vale a Pena!” de Nicolau Santos

Dezembro 29, 2009 por baiaoavesso


Igreja da Santa Maria, Marco de Canavezes. De Siza Vieira, que, ainda este ano, recebeu o mais alto prémio de Arquitectura de Inglaterra, sem lá ter feito obra nenhuma, apenas por ser “um dos melhores arquitectos do mundo”

O texto de Nicolau Santos foi-me também reencaminhado por um amigo. E tomo a liberdade de o transcrever adiante, com a devida vénia.

Contudo, e sabedor dessa tendência crónica de dizermos constantemente mal de nós próprios, lembrei-me de fazer uma rápida pesquisa na Rede, antecipadamente convicto de que não levaria muito tempo a encontrar longas listas sobre isso de sermos “os coitadinhos da Europa”. Meu dito, meu feito. Com dados e estatísticas indesmentíveis! Mas o que embirra é aquela espécie de prazer sado-masoquista e fatalista que transparece de algumas desses textos.

Acontece que, na mesma pesquisa, encontrei este parágrafo, a propósito, também de Nicolau Santos, a iniciar um outro artigo, que me permite não alongar mais esta introdução:

Os melhores pessimistas

“Portugal está na cauda da Europa em muitos indicadores económicos e sociais, mas há um onde estamos seguramente entre os primeiros: na qualidade dos nossos pessimistas. Na verdade, todos temos de reconhecer que os nossos pessimistas são do melhor que há no mundo. Um pessimista português é uma autoridade: quando fala sobre o país não fica pedra sobre pedra. Não há passado que nos salve, presente que se veja e futuro que nos acalente. É claro que os nossos pessimistas nos poderiam dar sugestões de como sairmos desta apagada e vil tristeza. Mas nessa não caem eles. Pessimista que se preza demonstra que isto está péssimo – mas acrescenta que não há salvação…”

Portugal vale a pena!

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.

Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que “bateu” em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo.

O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive – Portugal. Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d’Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo. E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casasmãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

É este o País em que também vivemos. É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc. Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia. Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos – e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito. Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, Director – adjunto do Jornal Expresso
in Revista Exportar

Feliz Natal!

Dezembro 23, 2009 por baiaoavesso

(fragmento de mosaico, no “Caminho do Rosário”
Mosteiro de Ancede, Baião
)

A minha e colega e amiga Sara – nome lindo e natalício, e que também já, oportunamente, aqui deixou um texto bonito e muito amável – enviou aos familiares e amigos um cartão de Boas Festas personalizado (leia-se: “feito pelas pessoas lá de casa”), também muito lindo e que, pelo seu cariz pessoal, não vou aqui reproduzir.

Mas o que eu aproveito é para lhe agradecer o ter-me facilitado o trabalho, pois tencionava colocar neste espaço um poema alusivo a esta quadra festiva, e os versos que acompanhavam aquilo que ela, com a sua modéstia e humor característico, chamou de “postalito” vieram mesmo a propósito e na hora certa:

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.

- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
– Está bem, eu sei!
– E as garrafas de vinho?
– Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr’a ver
Que prendas vou ter.

Que prendas terei?
– Não sei, não sei…

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
– Foi este o Natal de Jesus?!!!

João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996

Obrigado Sara! Feliz Natal e Boas Festas para ti e para todas as minhas amigas e amigos!

De Pascoaes, por Albert Thelen a Aristides de Sousa Mendes.

Dezembro 21, 2009 por baiaoavesso

E assim, também a propósito de leituras, e partindo de alguma relação interessante com a região, encontrei pretexto para, neste momento do ano em que há uma sensibilidade especial à valorização dos actos de solidariedade, falar daquele que considero um herói nacional e, mais do que isso, um herói da humanidade: o cônsul Aristides de Sousa Mendes.

Dá-se também o caso de eu entender que uma forma atractiva de se abordar um determinado período ou acontecimento histórico consiste na leitura de boas biografias de protagonistas dessa história, quando aquelas existem e com preocupações de isenção. É talvez uma perspectiva limitada, nem sempre possível, mas muito mais viva, e, por isso, frequentemente entusiasmante. E que até nos leva a pormenores que, por uma razão ou por outra, despertam a nossa curiosidade em saber mais.

Sempre atenta e sabedora desta minha ideia, uma sobrinha e amiga muito estimada – obrigado Aninhas! – fez-me chegar a biografia de Sousa Mendes, “Um Homem Bom” que, ousando desobedecer a Salazar, salvou do Holocausto muitos milhares de vítimas, em tais condições e com tão graves consequências para si e para a sua numerosa família (doze filhos) que muitos consideram até uma atitude de alguma desvalorização apelidá-lo de “Schindler português”. De qualquer modo, a comparação – por se referir a um dos maiores sucessos do cinema – estimula a boa curiosidade.

E não foram apenas refugiados judeus que ele, apesar de conservador e católico, salvou, contrariando ordens superiores e do próprio ditador, ao passar milhares de vistos, em Bordéus e em Bayonne, no início da II Guerra Mundial, como o comprova precisamente o exemplo do poeta e romancista alemão Albert Vigoleis Thelen, procurado pela Gestapo. Como este não tinha meios de subsistência em Portugal, chegou à casa de Teixeira de Pascoaes, em Gatão, Amarante, no dia 1 de Setembro de 1939, onde foi acolhido com sua esposa Beatrice, até 1947, data em que já não era mais possível iludir as suspeitas da polícia política portuguesa.

Sobre o acolhimento de Teixeira de Pascoaes, importa ainda dizer que também o poeta holandês Hendrik Marsman e a sua mulher Rien, possuidores de vistos passados pelo diplomata português, receberam um convite do poeta da Saudade. No entanto, a decisão desta família, de permanecer mais algum tempo em França, viria a ser-lhes trágica e fatal.

Em resumo: de Pascoaes, todos sabemos o nome, e seria bom conhecermos também a sua poesia da “Saudade do futuro”.

De Sousa Mendes, muito já se tem falado. Nada, no entanto, em comparação com o lugar que, de direito, e para exemplo de todos, deve ocupar na história portuguesa contemporânea. E de todo o mundo. E de todos os tempos.

“Prémio Pessoa 2009” pass(e)ou por Baião

Dezembro 18, 2009 por baiaoavesso

Integrando uma galeria de personalidades como o historiador José Mattoso, a pianista Maria João Pires, o poeta António Ramos Rosa, o investigador em medicina Manuel Sobrinho Simões, o arquitecto Souto de Moura ou o escritor José Cardoso Pires, entre vários outros nomes maiores do mundo da ciência, da arte e da literatura, o bispo do Porto, D. Manuel Clemente foi – para surpresa de muitos e do próprio – o contemplado deste ano com Prémio Pessoa.

Ora o que acontece é que, independentemente do seu estatuto na hierarquia da Igreja – se é que isso é possível – D. Manuel Clemente é, na esteira de outros prelados, como D. António Ferreira Gomes, uma personalidade que deveria constituir motivo de orgulho para a Diocese e para o Distrito, para crentes e não crentes, pela sua intervenção cívica e cultural de nível verdadeiramente superior.

De resto, aliado ao seu percurso cultural e eclesial, também o seu exemplo de tolerância e de diálogo, precisamente nos campos da fé e da ciência, da religião e da cultura, da Igreja e da política (no sentido etimológico do termo) deveriam ser seguidos mais regularmente pelos representantes de cada um desses campos, com o devido respeito pela respectiva autonomia.

É que, por uma ignorância crassa, ou por moda “politicamente correcta” parece bem a alguns navegar na confusão, por vezes intolerante, outras vezes ridícula, de confundir laicismo e laicidade e separação de poderes com hostilidade.

Estou convicto de que, enquanto o denominador cultural não for assumido como a base desse diálogo benéfico para a sociedade, todos teremos a perder.

E é só pela cultura que se poderão exorcizar alguns fantasmas dos dois “lados” (para simplificar), sejam eles os da Inquisição ou de certos excessos da Primeira República.

Pois, voltando a D. Manuel Clemente – que, na sua missão mais especificamente pastoral já veio outras vezes a Baião – é com agrado que o seu primeiro “passeio” com os párocos da cidade do Porto tenha sido para visitar o belo planalto neolítico da Aboboreira com o seu campo arqueológico e apreciar a gastronomia única da “Casa do Lavrador”.

E que a esta visita se tenha seguido uma outra, precisamente para conhecer a Fundação Eça de Queirós.

E que, depois disso, tenha acedido ao convite da Câmara de Baião para um diálogo com os jovens, que encheu por completo o auditório municipal e, mais do que isso, suscitou uma participação muito viva, em abono das considerações que acima alinhavei, e do prémio que, em boa hora, um júri bem plural entendeu por bem atribuir.