A Câmara que limpe! A Junta que limpe!

Outubro 25, 2009 por baiaoavesso

A Câmara que limpe! A Junta que limpe!” São estas algumas expressões que se ouvem frequentemente aqui e além, muitas vezes para a resolução de problemas muito pequenos que, geralmente sem custos nem grande esforço, em pouco tempo, qualquer um poderia resolver se o conceito de cidadania estivesse mais interiorizado.

Quantas vezes é preciso recorrer à utilização de uma viatura oficial, de um condutor, de um operário, da perda de uma manhã ou de uma tarde para, com uma simples enxada e pouco mais, se desentupir uma grelha de escoamento de águas pluviais?!

O exemplo que trago aqui mostra-nos como algumas iniciativas, além de valerem por si mesmas, podem funcionar como estímulo a uma participação mais activa dos cidadãos e dos grupos, e até transformar-se em momentos de alegre convívio e reforço do sentido de participação e de comunidade.

É o caso do Itinerário pedestre “Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago”, entre Soalhães e a Capela de S..Brás, na Aboboreira, e que em menos de um ano já trouxe (ora de forma organizada, ora de forma espontânea) milhares de pessoas a esta região.

No próximo dia 7 de Novembro haverá mais uma “Caminhada de Outono” e era preciso limpar o lixo e desmatar algumas passagens mais difíceis. Pois a solução foi um convívio de quatro equipas voluntárias que se juntaram neste Sábado, e nem alguma chuva deixou que o trabalho se transformasse em festa com a satisfação dos participantes por contribuírem para o desenvolvimento da sua freguesia. Um exemplo a seguir!

E, já agora, aqui fica a ligação ao blogue que já tem muita coisa sobre este caminho e a sugestão para divulgar e participar na próxima caminhada.

P1010121

P1010076
É claro que a Sra Presidente da Junta não podia faltar!

uma leitura feliz!

Setembro 9, 2009 por baiaoavesso

A história dava muito que contar (deformação profissional de quem é professor). Mas o que eu queria, era mesmo dar notícia breve de uma experiência de férias, duplamente feliz:

- li intencionalmente o mesmo livro que uma pessoa amiga e de família (estudante que vai para o 12º ano); fizemos uma “troca” de alguns parágrafos mais interessantes pelo conteúdo ou pela beleza da expressão escrita e, no final, partilhámos impressões de leituras necessariamente diversas, embora muitas vezes convergentes.

- chegámos à conclusão de que, para além desta forma de exercício da amizade, ambos aprendemos muito, fomos capazes de ver aspectos que o outro não viu, e reforçamos a convicção de que é muito importante “ler”, ler “bem”, ler “muito” e – mesmo que seja preciso algum “esforço” – também é importante “aprender a ler com prazer”.

Quem sabe se isto não resulta também nas leituras escolares, “obrigatórias”?!

Façam a experiência, e digam qualquer coisa!

Vila-Moura reclamava estradas para o “Baixo-Douro” há cem anos!

Agosto 25, 2009 por baiaoavesso

vila moura Foi dito – e bem – que a ligação de Baião à Ponte da Ermida, também como um troço de um itinerário mais regional, era uma aspiração de há cerca de 24 anos, com despacho formal no Diário da República. Felizmente vai ser agora complementada, como a maior obra pública de sempre, na área do concelho de Baião. Com os prolongamentos que já existem, desde o IP4, no Marco de Canaveses e com a ligação prevista até à A24, através de Resende.

Mas como é bom fazer-se justiça a quem a merece, não deixa de ser interessante evocar, neste momento, a intervenção política, de grandes preocupações sociais, traduzida na actividade parlamentar do Deputado Bento de Castro, que veio a ser conhecido, sobretudo na literatura, como Visconde de Vila-Moura e que, apesar da sua orientação oficialmente conservadora, era sobretudo um insubmisso e preocupado com os problemas reais do país, da região e das suas gentes. Pouco adepto das greves, não hesitou em defendê-las como último recurso se não fossem resolvidos os problemas da condição difícil dos empregados do caminho de ferro. E a sua voz ergueu-se bem forte quando os arrais e barqueiros dos barcos rabelos – que eram desta região – começaram a perder os seus empregos.

Ora, numa das suas intervenções parlamentares, com aviso prévio ao Ministro das Obras Públicas, precisamente em 1909, elogiando as justas preocupações com o Alto Douro, as suas palavras ressoaram na Câmara dos Deputados e ficaram registadas no respectivo Diário: “Refiro-me à iniciativa do Sr. Ministro das Obras Públicas no que entende com o rasgamento de estradas, e em geral com a abertura de trabalhos públicos, tendentes a dar vasamento à actvidade dos regionais.
(…)

Pois bem, proceda S. Ex.a assim com o Baixo Douro. Alargue tais providências até Baião e Marco, concelhos ainda hoje pessimamente servidos de estradas apesar de serem dos mais férteis, ricos e contribuidos da província. Por esta forma beneficia S. Ex.ª uma corda imensa de gente, que prefere o trabalho à esmola, e serve o interesse, o velho e justificado empenho daqueles concelhos, de que muito se queixam do esquecimento a que têm sido votados por parte dos poderes públicos.”

Palavras que demoraram a ser escutadas, mas parece que, apesar da lamentável demora de um século, valeram a pena. Porque outros as foram, retomando com o mesmo afinco e persistência.

O Imaginário III (história e ficção)

Agosto 24, 2009 por baiaoavesso

imaginário Quando aqui recordei “O Imaginário”, referindo-me ao grande escultor Custódio Joaquim da Rocha, da freguesia do Grilo, e depois do Gôve, em Baião, deixei também a nota de que o mesmo escultor foi motivo de inspiração para uma novela, bem ao jeito camiliano, de Bento de Oliveira Cardoso e Castro, 1º Visconde de Vila-Moura, igualmente daquela freguesia.

O Imaginário – friso romântico”, saiu no Porto, numa edição de “A Renascença Portuguesa”, em Junho de 1924, com ilustração de António Carneiro, na capa.

No conjunto de uma obra muito vasta e repartida pela ficção, pela política e pela crítica social e literária, esta novela acrescenta a uma fértil imaginação – neste caso, ao serviço do elogio das qualidades artísticas do escultor – alguns elementos para a sua biografia.

Desde logo, o facto de na sua infância ter sido protegido pelo Abade Manuel Loureiro, clérigo ilustre, que veio a ser “Governador do Bispado e membro da Junta do Porto, quando da invasão dos franceses”, e que integra o círculo das personagens mais importantes da novela.

Por aí, sabemos também “de fonte segura” que após a morte de Custódio Joaquim, “houve um êxodo das mais das imagens com que havia enriquecido o Concelho” povoando com as esculturas magníficas do seu talento “quase todas as (suas) capelas e igrejas”.
Saíram para Braga, onde foram vendidas por alto preço, a religiosos e artistas, que as adquiriram como obra doutro imaginário, de menos talento e maior fama”.

Quanto à trama da novela, lá vêm todos os ingredientes de amores ilícitos, de troca de recém-nascidos (discretamente entregues a amas de Alhões, nas socavas da Gralheira, ou na Roda de Penafiel).

De tal forma que, ao contrário de Josefa do Monte, seu amor secreto em Mesquinhata e, segundo a voz corrente, modelo para a célebre “Virgem do Gôve” (infelizmente mutilada), já no caso da Imagem de S. João, venerada na Capela dos Chãos, onde o mestre Frei Domingos Vieira rezou missa durante anos, foi a obra esculpida com tanto carinho e perfeição, sob o olhar permanente de Josefa, que veio a dar origem a uma outra “ belíssima escultura de carne e osso”, também figura central da novela., e sobretudo para o seu dramático desenlace, perante o Juiz de Baião.

Também não faltam as referências às malfeitorias das quadrilhas do “Zé do Telhado” e outras, que afligiam as gentes de toda esta região.
E mais não digo, por agora, para não alongar a conversa e deixar acesa a chama da curiosidade.

Soeiro, um homem bom que “fez” 100 anos esta semana

Abril 18, 2009 por baiaoavesso

soeiro-pereira-gomes

Podia dizer: “faria” 100 anos… Mas este é um dos homens, nascido em Gestaçô, Baião, em 14 de Abril de 1909, cuja mensagem permanece bem viva entre nós.

E apesar de só aparentemente se ter separado deste mundo, na juventude dos quarenta anos, para além de todos os outros escritos, para além da sua actividade social e cultural em benefício dos outros, bastaria ter deixado esse livro notável dos “Esteiros”, expoente maior do movimento literário que veio a chamar-se neo-realismo, para continuar entre nós como um dos portugueses mais ilustres do século XX.

Poucos saberão que, passados quase cinquenta anos da publicação desta obra, Portugal, já nos primeiros passos da democracia, passou pela vergonha de uma queixa oficial e internacional junto do Conselho da Europa, por violar um dos preceitos importantes da Carta Social Europeia que proíbe a utilização abusiva das crianças em trabalhos superiores às suas forças e, por isso, abandonando frequentemente a escola.

Como tive alguma responsabilidade no esforço para retirar as razões e as consequências dessa acusação, ao coordenar a comissão interministerial criada para o efeito, e da qual saiu um projecto de acção que ainda hoje está no terreno, não foram poucas as oportunidades que aproveitei, em acções de sensibilização, um pouco por todo o país, para citar esse primeiro e verdadeiro grito de denúncia de Soeiro Pereira Gomes ao dedicar o seu livro aos “filhos dos homens que nunca foram meninos”.

E foi também a vontade contribuir para a homenagem que lhe era devida na sua terra natal que a Revista “Bayam”, da Cooperativa Cultural de Baião – Fonte do Mel, logo no seu primeiro número (1991) lhe dedicou uma pequena fotobiografia. A mesma Cooperativa lhe fez erigir, a poucos metros de sua casa, um monumento escultórico em granito, da autoria de Armando Martinez, por sinal o mesmo escultor que tem no centro de Vigo a homenagem à grande poetisa e mãe da “Pátria galega”, Rosalía de Castro.

E já que de Baião se trata, fortemente marcado pelas suas múltiplas referências literárias, de obras, escritores e especialistas desta arte, aproveito para dizer que dois dos mais ilustres “queirosianos”, que o concelho considera filhos adoptivos, não deixaram passar em claro a centralidade deste livro de Soeiro Pereira Gomes no movimento literário que representa: Carlos Reis, Presidente da Associação dos Amigos de Eça de Queiroz e membro do Conselho Cultural da Fundação com o mesmo nome (actual reitor da Universidade Aberta) dedicou precisamente a Dissertação do seu Doutoramento ao “Discurso Ideológico do Neo-Realismo Português” (Almedina, Coimbra – 1983), onde, em todo um capítulo, analisa o romance de Soeiro.

Por sua vez, Isabel Pires de Lima, também do mesmo Conselho Cultural, foi a escolhida pelas Edições Avante para nos dar, em jeito de prefácio, uma boa introdução ao neo-realismo e ao livro, que tem ainda a curiosidade de nos apresentar as réplicas da capa e das ilustrações originais, desenhadas para o efeito, por Álvaro Cunhal (Lisboa, 1979), revelando uma das facetas talvez menos conhecida desta figura incontornável da história portuguesa recente.

De registar que, numa pequena entrevista, ao Primeiro de Janeiro, em 10 de Fevereiro de 1943, Soeiro Pereira Gomes, manifestava a intenção de escrever “um romance cuja acção decorrerá entre o Porto e o Marão, no meio onde nasci. Depois, gostaria de escrever contos infantis e obras de divulgação para o povo”.

Tal não aconteceu, infelizmente. Diversas comemorações já foram realizadas e outras estão justamente previstas, associadas, com todo o sentido, ao 25 de Abril. Entendo, contudo, que a melhor homenagem que lhe podemos prestar passa, sobretudo, pela leitura da sua obra.

p51700551
Monumento em Gestaçô, Baião

cidadania com nome próprio: Dr. Teixeira da Silva

Março 13, 2009 por baiaoavesso

É esta uma forma despretensiosa e muito simples de me associar à justa homenagem pública que vai ser prestada ao Dr. José Teixeira da Silva.

Faço-o aqui, porém, sublinhando o merecimento desse carácter público da iniciativa, porque, para além de todas as suas qualidades humanas e profissionais, ele deve ser apontado e recordado como exemplo de uma virtude hoje tão falada e nem sempre levada à prática na mesma proporção: a cidadania.

Ainda antes do 25 de Abril, e antecipando na prática os seus ideais, um grupo de mulheres e homens de boa vontade, preocupados com os diversos problemas de natureza social no concelho de Baião, organizaram-se num movimento, inicialmente informal, para elaborarem, depois de muita reflexão e auscultação das populações, aquilo que já na altura se chamou, com alguma propriedade, “Plano de Desenvolvimento Integrado”.

Foi desse movimento que surgiu a OBER, os primeiros jardins de infância de todo o interior do distrito do Porto, os primeiros cursos para além da 4ª classe – ainda antes da Telescola -as primeiras experiências de agricultura de grupo, acções de assitência materno-infantil, o aldeamento da Pala, a abertura de acessos e beneficiação de regadios tradicionais e – a enumeração seria longa, numa história que está por fazer – também o primeiro Centro de Saúde do interior do mesmo distrito.

Pois o que me importa aqui realçar é que o Dr. Teixeira da Silva- e refira-se também, com a mesma justiça, a intervenção social da sua esposa, Dª Zita – foi um dos elementos mais empenhados desse grupo.

De resto, ele próprio gostava de repetir com alguma frequência, com satisfação e saudade, que esse “trabalho em conjunto foi uma época de ouro para o Concelho”.

Daí este meu tributo, para que conste.

É evidente que a todos os outros protagonistas desse movimento é devida a homenagem dos baionenses e, sobretudo, é recomendado o exemplo para as gerações presentes e vindouras.

Tenho a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, a verdadeira História que é feita destas pequenas histórias reais, há-de trazer a lume, os contornos de maior relevância desse exemplo.

Por isso, é com muita alegria que registo o facto de a homenagem ter partido de um grupo de cidadãos.

Sinal de vitalidade da sociedade civil, que as autoridades locais muito bem souberam acompanhar.

Pereira Cardoso

para todas as mulheres, hoje, amanhã e sempre

Março 7, 2009 por baiaoavesso

Dia de luta.
Dia de festa.
Dia de homenagem.

Dia de luta, porque apesar de toda a evolução positiva das leis, de todas as comissões de igualdade, de todas as acções de sensibilização… o tratamento continua a ser maioritariamente desigual em muitos sectores da vida profissional, social e familiar. Cabe-lhes a elas também, mas especialmente aos homens um grande esforço de coerência para fazer coincidir a teoria com a prática. E ultrapassar preconceitos ancestrais de mentalidades retrógradas. Uma questão de cultura e de luta efectiva contra o comodismo.

Dia de festa, porque as lutas “em festa” têm, muitas vezes, mais força e são mais eficazes. Mas também porque elas são as criaturas mais belas do mundo. E são as nossas mães, as nossas filhas, as nossas irmãs, as nossas companheiras.

Dia de homenagem, porque apesar de uma análise histórica superficial poder deixar na sombra o seu contributo para a evolução positiva da sociedade, perante o protagonismo político, social e cultural masculino, não é preciso recorrer à frase batida de que “por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher” para se encontrarem muitos exemplos de mulheres que deixaram uma marca indelével na história da humanidade, ou do país, se quisermos.
Não repetimos nós, vezes sem conta, que o bem mais precioso é o da saúde?! Pois, quem foi a mulher que esteve na origem do maior número de hospitais e se preocupou em que os mais carenciados lhe tivessem acesso? Nem mais que essa grande rainha que deu pelo lindo nome de Leonor.
Quem recolhia e tratava os moribundos amontoados e contorcidos nas valetas da Índia, perante a indiferença geral da multidão que passava ao lado? Nem mais do que essa – aparentemente tão frágil, mas respeitada pelos poderosos de todo o mundo – Teresa de Calcutá.

Mas a minha homenagem vai mesmo para aquelas de quem ninguém se lembra, ou se lembra apenas no dia de amanhã, e que no dia-a-dia são acima de tudo, a tempo inteiro, com todo o amor, dedicação e carinho, o que já disse: mães, irmãs, filhas, companheiras e amigas.
E mais do que estas, as que são ignoradas, sozinhas, doentes ou…maltratadas.

E, então, para elas, outra vez com as palavras emprestadas da nossa maior poetisa:

Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rastro no céu branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade de um mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia
e vertigem onde o ar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.
SOPHIA

O Imaginário (II)

Março 7, 2009 por baiaoavesso

Falemos, então, em primeiro lugar, do “Imaginário” da realidade. Daquele que, no lugar de Minhães, na freguesia do Grilo, vai para uns duzentos anos e com mão de mestre, tirou da madeira imagens de grande expressividade artística a enriquecer o património cultural da nossa região em muitas igrejas e capelas públicas ou de casas solarengas.

Infelizmente, a sua humildade não permitiu que a assinatura nos permita, por agora, estabelecer com rigor, o inventário de uma obra que sabemos ser mais vasta do que à primeira vista possa parecer.
Mas temos toda a confiança em que o avanço progressivo e qualitativo dos estudos comparativos venha tornar possível que “o seu seja atribuído ao seu dono”.

Para já, é de registar este primeiro passo decisivo que levou a Diocese do Porto a escolher o concelho de Baião para a fase inicial de um programa de inventariação cultural do seus tesouros patrimoniais, a estar concluído num prazo de aproximadamente cinco anos, deixando ainda de parte aspectos tão importantes como a talha, mas incluindo a escultura.
Esperamos que, de entre outros resultados pretendidos com este projecto, como a maior sensibilidade para a valorização, preservação, educação artística e mesmo promoção ao nível turístico, possamos contar aqui com um ponto de partida mais sistematizado para estudos de maior profundidade desses tesouros, onde se incluem as peças de Custódio Joaquim da Rocha.

Por enquanto, são-lhe atribuídas imagens como a de Nossa Senhora da Conceição, na igreja paroquial do Gôve, inspirada, segundo a tradição, na excepcional beleza da filha do artista (mas alterada – mal – para Senhora do Rosário, devido à forte influência desta devoção emanada dos dominicanos de Ancede, de onde também era a esposa do escultor, da ilustre casa de Val de Cunha); a Senhora do Loureiro (romaria das mais antigas e com características muito específicas pela responsabilidade da organização distribuída por duas freguesias); a Senhora das Dores, na Casa de Ervins; um Cristo crucificado, na Casa do Pedregal; e a Senhora do Martírio, em Santa Cruz do Douro (em honra de quem se organiza a primeira grande romaria do ano depois do S. Brás, no concelho de Baião).

A propósito desta última imagem, Maria Luísa Carneiro Pinto refere-nos em “Por Terras de Baião” (Porto, 1949) que se constava, no local, que o célebre Bispo do Porto, D. António Barroso, tendo-se deslocado ali, e hospedado na Casa de Agrelos, fez questão de voltar à capela para se “despedir da imagem que tanto o impressionara”.

imperdoável não falar de Carmen Miranda

Fevereiro 10, 2009 por baiaoavesso

Enquanto não volto, para continuar a falar do “Imaginário” e de outras pessoas, coisas e factos, seria imperdoável passar em claro o centenário de uma das figuras de maior relevância cultural no mundo da música e do teatro.
Natural do Marco de Canaveses, famosa no Brasil e nos Estados Unidos, e que muito honra a nossa região: Carmen Miranda.
No Brasil, chegou mesmo a ser “a mais famosa”.
Lembro-me bem de meu pai, emigrante regressado do Brasil, entretido nos seus trabalhos, cantarolar de vez em quando:”O que é que a baiana tem?”

Por isso, aqui fica o meu tributo.
E a sugestão de um, de entre muitos links para quem quiser saber mais.

O Imaginário

Janeiro 16, 2009 por baiaoavesso

Viveu no Grilo mas há quem diga que nasceu em Campelo.

E é o pretexto para falar de escultura e de património literário.

Porque o Imaginário é aquele que faz “imagens”, que é o nome dado às esculturas de arte sacra. E o “nosso” Imaginário não era um qualquer.

E porque “O Imaginário” – o do Grilo – é igualmente o nome da novela que integra uma vasta obra literária de Bento de Oliveira Cardoso e Castro, mais conhecido por Visconde de Vila-Moura, também do Grilo, assim se entrecruzam e recordam dois nomes importantes da história de Baião, de cuja obra iremos lembrar alguns aspectos interessantes, que lhes conferem um valor inegável, em nada condizente com algum esquecimento a que injustamente têm sido votados.

Lá iremos, por isso.